Cientistas portugueses "cartografam" infeção do fígado por parasita da malária

11/11/22
Cientistas portugueses "cartografam" infeção do fígado por parasita da malária

Uma equipa de cientistas de portugueses e israelitas "cartografou" a infeção do fígado por um dos parasitas da malária. Um passo que pode ajudar a investigar como travar o desenvolvimento da doença antes do aparecimento de sintomas.

O trabalho, coliderado pela portuguesa, Dr.ª Maria Manuel Mota,  especialista no estudo da malária, foi realizado com o parasita plasmodium berghei, que causa malária em roedores e é considerado um organismo modelo para o estudo da doença em humanos, uma vez que é fácilmente manipulado com técnicas de engenharia genética.

O Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes, em Lisboa refere que, numa experiência feita com ratos, os investigadores detetaram um grupo de parasitas localizados na extremidade dos lóbulos hepáticos, células do fígado que se agrupam em forma de hexágono, que não são capazes de gerar infeção.

Em contrapartida, os parasitas "desenvolvem-se mais rapidamente e sobrevivem melhor nas regiões mais próximas do centro destes lóbulos", aponta, o Prof. Doutor Shalev Itzkovitz, que liderou a equipa israelita, do Instituto Weizmann de Ciência.

A infeção do fígado é a chamada fase assintomática da malária, em que não há manifestação de sintomas. "Compreender a dinâmica da infeção nesta fase assintomática é importante para investigar como parar a infeção no fígado e tentar eliminar a doença antes do aparecimento dos sintomas", assinala o IMM, justificando a relevância do estudo, publicado na revista científica Nature.

A equipa científica luso-israelita analisou "os genes ativos das células e dos parasitas em diferentes momentos após a infeção" e descobriu que a resposta imunitária das células do fígado que o parasita da malária é incapaz de infetar é diferente, o que explica a sua resistência.

A Dr.ª Maria Manuel Mota destaca que "as vulnerabilidades do plasmodium" que o estudo indicou poderão ser utilizadas no futuro "para tentar desenvolver formas de eliminar a infeção na fase hepática".

A malária, endémica em muitos países de África, Ásia e América Latina, é uma doença causada por várias espécies do parasita do género plasmodium, que se transmite pela picada de um mosquito do género anopheles infetado, no caso uma fêmea. Em humanos, a doença é provocada pelos parasitas plasmodium vivax, plasmodium malariae, plasmodium ovale e plasmodium falciparum.

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